fonte: SIC
Dez mil portugueses vão participar num estudo epidemiológico,
através de um electrocardiograma feito em casa, que irá avaliar a prevalência em Portugal da fibrilhação auricular, um dos mais importantes factores de risco para o Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Promovido pelo Instituto Português do Ritmo Cardíaco (IPRC) e pela Associação Portuguesa de Arritmologia, Pacing e Electrofisiologia (APAPE), o estudo irá decorrer em 70 cidades de norte a sul do país, nos Açores e Madeira. Em declarações à agência Lusa, o presidente do IPRC disse que este será o primeiro
grande estudo para analisar a incidência no país da fibrilhação auricular, a arritmia cardíaca mais comum, muitas vezes associada a uma diminuição da qualidade de vida, a um número substancial de hospitalizações e a um aumento de complicações cardiovasculares muitas vezes fatais, como é o caso dos AVC.
Dados do IPRC indicam que
esta doença afecta cerca de cinco indivíduos em cada 1000, de ambos os sexos, incidência que aumenta com a idade. "Trata-se de um grave problema de saúde pública que actualmente afecta cerca de sete milhões de doentes nos Estados Unidos da América e Europa, e os especialistas esperam que este número duplique em 2050 devido ao aumento da população sénior", refere o IPRC. O presidente do IPRC, Daniel Bonhorst, adiantou à Lusa que a
fibrilhação auricular "é uma das maiores preocupações dos cardiologistas", uma vez que "está comprovado que é um factor de risco para embolias cerebrais, uma das causas importantes do AVC, cuja prevalência é muito elevada em Portugal". "Interessa-nos saber se a fibrilhação auricular poderá contribuir para essa elevada frequência", frisou Daniel Bonhorst, explicando que os estudos sobre esta matéria são "limitados e não permitem tirar conclusões". O estudo que irá fazer o levantamento desta situação em Portugal terá início segunda-feira, com
a deslocação de técnicos de Saúde a várias casas onde os moradores, com idade igual ou superior a 40 anos, farão um electrocardiograma e responderão a um inquérito destinado a recolher dados demográficos, sócio-económicos, clínicos e terapêuticos.Este trabalho de campo irá decorrer até Setembro e os resultados dos estudos deverão ser apresentados em Novembro, avançou o presidente do Instituto Português do Ritmo Cardíaco. Daniel Bonhorst acrescentou que o estudo abrangerá ainda consultas de cardiologia dos hospitais e centros de saúde, através de inquéritos a médicos. Os sintomas mais comuns da fibrilhação auricular incluem a sensação dos batimentos descoordenados do coração (palpitações) e a pulsação rápida e irregular, com períodos de aceleração e desaceleração do seu ritmo.
Os doentes podem também queixar-se de tonturas, sensação de desmaio, perda do conhecimento, dificuldade em respirar, cansaço, dor ou sensação de aperto no peito. A idade, obesidade, hipertensão, enfarte do miocárdio, a insuficiência cardíaca congestiva são alguns dos factores de risco para o aparecimento da fibrilhação auricular.
Opinião:Quem reparou na reportagem que deu na TV, viu que os técnicos de saúde eram final técnicas de cardiopneumologia... Eu questiono... Haverá enfermeiros envolvidos?Ou será isto um reflexo da real falta de conhecimentos dos enfermeiros na area da electrocardiografia??Há quem defenda que a enfermagem não se desenvolve nestas áreas [diagnóstico]....??? Realmente não percebo...